In between days

“Why won’t you ever know…

8

de

janeiro

Achei no meu computador: Mclusky

Imagine uma banda com os seguintes elementos: vocais em perfeitos tons, instrumental caprichado, letras intelectualmente elaboradas com conteúdos atemporais, produção cuidadosamente bem feita e músicos incríveis, com pinta de rockstars. Se identificou? Se sua resposta é “sim”, então definitivamente você não deve ouvir o Mclusky…
Formado por três imbecis que definiam seu som com rótulos pouco ortodoxos como “shitrock” e “fucking music”, o Mclusky era uma mistura de punk, new wave, Star Wars, humor ácido e cultura trash diluídos em berros desesperados e instrumentos tocados (propositalmente ou não) de maneira ruim. A intenção principal era ser espontaneamente tosco, e orgulhar-se disso com sarcasmo. Eu gostei.

Ps: PUC-SP Ciência da Computação, eu passei. E melhor, pelo ENEM.
Ps2: No trampo, vendo a revista Playstation do Thiago - Lembrando os sons de Winning Eleven e International Superstar Soccer Deluxe, morrendo pra jogar The King of Fighters XII e BioShock.
Ps3: A música de nome mais bonito do Mclusky na minha opinião é “The world loves us and is our bitch”

Achei exagerada certas posições colocadas na época, do tipo: “O novo Nirvana”, “O Mclusky vai se transformar na maior banda de rock do mundo nos próximos anos”, “O Mclusky é um Nirvana em estado embrionário e pronto para reconquistar multidões para o rock”, “O Mclusky será o Pixies do ano 2000″, e por aí vai.

Ps4: Nunca comparem nada com Nirvana

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18

de

dezembro

Bikini Kill: Kathleen Hanna Vs. Courtney Love

Eu recomendo:

Bikini Kill - “New Radio”
Bikini Kill - “Strawberry Julius”
Bikini Kill - “Suck My Left One”

O Bikini Kill foi efetivamente formado por volta de 1990 em Olympia, Washington por Kathleen Hanna, Tobi Vail and Kathi Wilcox com o intuito de lançar um fanzine, também chamado Bikini Kill. Para trazer mais vida a publicação, logo surgiu a idéia de formar uma banda, e para isso foi chamado o guitarrista Billy Boredom para completar a formação. Em 1991 foi gravada a demo “Revolution Girl Style Now” e a banda entrou em turnê pelos Estados Unidos junto com o Nation of Ulysses e depois se estabeleceu em Washington DC onde gravou o seu primeiro EP, intitulado simplesmente Bikini Kill, com o produtor Ian MacKaye (Fugazi).

Entenda a origem do ódio de Courtney Love.

Fatos pitorescos de Kathleen Hanna:

Kathleen Hanna x Courtney Love:

Durante o Lollapalooza 95, Courtney Love agrediu Kathleen com um soco. O caso foi parar na justiça mas não teve maiores consequências. Courtney e Kathleen se encontravam nos bastidores do festival, do qual o Hole e o Sonic Youth (que estava sendo acompanhado por Kathleen naquela turnê). Durante o andamento festival, até acontecer a tal agressão, rolaram várias histórias e boatos sobre os acontecimentos entre as duas durante o Lollapalooza:

- Courtney recebeu de um roadie um saquinho de batatas fritas. Ela agradeceu ao roadie e atirou as batatas em Kathleen, gritando “Ó, vai alimentar os sem-teto!” (Here, go feed the homeless”) e depois saindo junto com a atriz Drew Barrymore (amiga de Courtney). Segundo o roadie, Kathleen recusou a oferta de Courntey dizendo que não gostava de silicone.

- No intervalo de um dos shows do Sonic Youth, Kathleen foi ao microfone e disse “o Hole é uma banda”, querendo dizer que não se tratava apenas de Courtney (o que a própria Courtney aliás vivia repetindo).

- No mesmo dia, Courtney perguntou ao pessoal do Sonic Youth em tom de ironia: “Oh, então Kathleen entrou na banda de vocês?”

- Após a agressão, Kathleen propôs que o desentendimento entre as duas deveria ser esclarecido na palavra, em um debate sobre as questões feministas (Courntey era uma oposicionista do riot grrrl) em uma qualquer universidade que Courtney escolhesse. A resposta veio seca e ríspida: “Debate?! Mas você mal sabe ler”.

- Depois que a briga das duas foi noticiada, Courntey deu uma explicação sobre o que aconteceu pela internet: “eventually my fist…met [Kathleen's] Rathead, and it was orgasmic.”

Courtney não concordava com o riot grrrl e não queria que o Hole fosse identificado com o “movimento”. Ela não simpatizava com a cena de Olympia. O Bikini Kill incluia Tobi Vail, que foi namorada de Kurt Cobain, que acusou Kurt de ter se vendido depois que o Nirvana fez sucesso. Kathleen assinou um contrato do Bikini Kill com a gravadora Kill Rock Stars, que é de propriedade de Slim Moon (outro inimigo de Courtney), para piorar, a Kill Rock Star também lançou material de Mary Lou Lord, mais uma ex-namorada de Kurt, que também faz parte da lista de ódio de Courtney.

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16

de

dezembro

As 20 músicas do século.

uma lista das bandas e músicas que marcaram o século tanto no que se refere a alternância e a criação quanto a influência e história. Elas marcaram o tempo.

- Buddy Holly: That’ll Be The Day

Se o rock dos anos 50 era rude e cru, Holly não era nada disso. Buddy Holly preferia fazer canções mais melodiosas, tipo o country e pop das décadas anteriores. Ele também foi o primeiro rockeiro com cara de nerd, com seus óculos de lente grossa e cara de bom moço. Por isso pode-se falar que foi ele que abriu caminho para o surgimento do conceito de “pop/rock”. Buddy Holly, com sua banda The Crickets, também criou o formato básico de uma banda de rock: duas guitarras, baixo e bateria. Dentre as poucas gravações que deixou em vida, That’ll be the Day é uma das mais felizes, mas discoteca nenhuma está completa sem uma boa coletânea dele com outros sucessos como Peggy Sue e Oh Boy. Holly aparentava ter um futuro brilhante, mas tudo se interrompeu no dia 3 de fevereiro de 1959 quando Holly perdeu sua vida em acidente aéreo. Paul McCartney, um de seus maiores fãs compraria no futuro o direito de suas canções.

- Queen: Bohemian Rhapsody
Tudo no Queen era exagerado. Nada mais justo então que a canção mais memorável da banda seja também a mais exagerada. Bohemian foi a grande obsessão de Freddy Mercury que segundo o baterista Roger Taylor “a tinha toda mapeada na cabeça”. Conta-se que de tantos overdubs (ou gravações sobrepostas de vozes e instrumentos) a fita master quase ficou transparente. Tão importante quanto a música em si foi o vídeo feito para ela. Gravado ás pressas porque a banda não poderia estar presente no Top of the Pops e a um custo baixíssimo, o clipe de Bohemian Rhapsody foi a prova definitiva de que os “promos” ou “tapes” (como costumavam ser chamados então) poderiam servir para alavancar as vendas de discos ao contrário do que se pensava até então.

- Sex Pistols: Anarchy In The U.K
Se nos Estados Unidos o punk não vingou, na Inglaterra a história foi outra. Milhares de jovens cansados da monarquia, do rock pomposo, enfim de tudo, como é de se esperar quando se tem uma certa (pouca) idade, resolveram botar tudo abaixo em um dos períodos mais excitantes do rock. Ninguém simbolizou melhor essa geração que os Pistols para o bem (o carisma de Johnny Rotten, os grandes riffs do guitarrista Steve Jones) e para o mal (o niilismo desenfreado que acabou vitimando o segundo baixista Sid Vicious, com meros 21 anos e a idéia de que quase tudo feito ate então no rock deveria ser esquecido). O legado da banda se resume a apenas um disco (fora a trilha de “The Great Rock’n'Roll Swindle) mas ele perdura até hoje, basta ouvir Nirvana, Green Day, Offspring, Oasis e tantas outras que tentam emular, cada um a seu modo, os riffs de Steve Jones e a postura de Johnny Rotten e suas letras que misturavam raiva, política e bom humor (“eu sou um anarquista, sou o anticristo, não sei o que quero mas como conseguir, eu quero destruir”). Anarchy in UK é tão emblemática que ninguém deverá se surpreender se um dia ela começar a ser usada em salas de aula inglesas para explicar qual o era o estada das coisas no já longínquo 1976.

- David Bowie: Heroes
Bowie, ao lado de Brian Eno, seu parceiro e produtor na chamada “trilogia de Berlim” (os discos Low, Heroes e Lodger) foi um dos primeiros a sacar a importância do que as bandas alemãs, em particular o Kraftwerk, estavam fazendo. O disco Heroes era repleto de faixas instrumentais que não escondiam em nada o fascínio que ele tinha pela banda. Heroes, a canção, não tinha nada de sutil. Ela trazia um arranjo primoroso, uma letra do tipo que sempre vai fazer sentido para um monte de gente em inúmeras situações (“Nós poderemos ser heróis nem que seja por um dia”) e a melhor interpretação de toda a sua carreira. Vira e mexe a canção é regravada (o Blondie soltou uma versão ao vivo com a participação do próprio Bowie ainda em 78, Oasis e Wallflowers lançaram as suas covers nos anos 90) mas é difícil chegar sequer perto do impacto do original, mesmo passados 25 anos.

- The Police: Message In A Bottle
Ok, o grande momento de Sting e do Police foi Every Breath You Take e e isso aí. Mas o fato é que o grupo entrou para a história por outros motivos além de ter escrito uma das melhores baladas dos últimos tempos. O grande lance do Police foi ter popularizado o termo: “reggae de branco”, ajudando a tornar o som da Jamaica palatável não só para rockeiros menos abertos mas para o público em geral. O Police também contrariava a escola punk que dizia que quanto menos se soubesse tocar melhor. Todos os três policiais eram excelentes músicos, mas eles entenderam que o segredo estava na simplicidade. É por isso que Message in a Bottle está aqui, por mostrar exatamente o porquê de até hoje ter tanta gente lamentando o fato de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland não estarem mais juntos no palco e estúdio. E porque sem ela o rock brasileiro dos anos 80 teria sido bem diferente (que o digam os Paralamas do Sucesso, Blitz e Léo Jaime).

- Joy Division: Love Will Tear Us Apart
Em 1979 o punk já dava sinais de desgaste, foi quando o pós punk surgiu. Várias bandas abraçaram o gênero (marcado por baixo pulsante, guitarras esparsas e canções intensas mas não necessariamente melódicas). Entre os principais nomes estavam o PIL, formado pelo ex-vocalista dos Sex Pistols Johnny Rotten, agora John Lydon, especializado em experimentar com o reggae e o dub. A Gang of Four com sua mistura de punk com funk e, principalmente, o Joy Division. O Joy era um quarteto de Manchester que começou punk e em dois discos criou um som bastante original (com a ajuda fundamental do produtor Martin Hannet). Boa parte do que é chamado hoje de “rock dos anos 80” tem as suas origens no som da banda. Love Will Tear us Apart, uma das mais dolorosas canções de amor desde sempre, deveria ter sido o trampolim da banda para o sucesso. Deveria se Ian Curtis não tivesse se enforcado com apenas 23 anos às vésperas da primeira turnê norte-americana. Tony Wilson, o chefe da gravdora deles, a Factory, contou recentemente que logo depois do ocorrido um ainda jovem Bono lhe disse que estava pronto para assumir a missão de Ian. Os sobreviventes do Joy se reorganizaram como o New Order.

- Motörhead: Ace Of Spades
Os ventos de mudança do punk acabaram dando força também ao heavy metal. Um grande número de bandas surgidas principalmente no fim dos 70 iriam se tornar grandes na década seguinte ou influenciar as futuras gerações de metaleiros. Assim o Judas Priest colocava pitadas de punk e new wave em seu som e chegava ao público americano, o Iron Maiden vinha com um som a princípio rude, e depois intrincado, para se tornar um dos maiores nomes de toda a história do gênero e o Def Leppard abria as portas (talvez sem querer) da fusão de heavy metal com música pop. Mas quem mesmo acabou dando as diretrizes para o metal futuro foi o Motörhead, com seu visual sujo e malvado e o som rápido, veloz e nem um pouco sutil. Cria de Lemmy Killmister – que tocou no Hawkwind e foi roadie de Jimi Hendrix – o Motörhead abriu as portas para todas as variações underground do metal, que iriam desembocar no sucesso de massa do Metallica. Ace of Spades é o grande momento da banda, daquelas músicas que te dão vontade de chutar alguma coisa e você nem sabe o porquê. Se isso é bom ou mal sei lá, mas quantas músicas são tão poderosas assim?

- Talking Heads: Once In A Lifetime
No pop as coisas vêm e vão. Nos anos 80 os Talking Heads eram sinônimo de música instigante, inteligente e inovadora. Nessa época não havia nada mais moderno que o disco Remain in Light e sua canção mais conhecida: Once in a Lifetime. Com sua mistura de rock, pop transcontinental e letras nonsense, mais a produção de Brian Eno, o disco, e a música, foram uma das marcas da década. No resto dos 80’s os Heads atingiram o grande público (com “Burning Down the House”) e mostraram que um show filmado poderia ser uma obra de arte (com Stop making Sense). Nos anos 90, quando não mais existiam, o grupo raramente era lembrado ou citado. Pior ainda, o líder David Byrbe ainda ficou com a fama de ser artista “cabeça” e aproveitador barato da música brasileira, latina e africana. Hoje tudo mudou, felizmente, os discos dos Talking Heads foram relançados em edições luxuosas, a nova geração lhes presta tributo (Franz Ferdinand, Clap Your Handa and Say Yeah e Arcade Fire sendo bons exemplos) e perceberam que o “aproveitador” Byrne estava lançando por seu selo uns discos esquisitos, vindos um país esquisito de artistas esquisitos como Mutantes e Tom Zé.

- The Smiths: How Soon Is Now?
A chegada da banda de Morrissey e Johnny Marr na cena pop é um caso de timing perfeito. Em 83, as sonoridades pós punk já davam mostra de cansaço. Sobrava o pop das paradas, encabeçado pelos new romantics Duran Duran e Culture Club que eram, simpáticos, mesmo geniais em certos momentos, mas sem muita utilidade se você buscava emoções menos rasteiras. Dava então para assumir o modelito preto e virar gótico niilista-existencialista (os anos 80 adoravam rótulos, especialmente esses que ninguém conseguia explicar direito) fã de Siouxsie, Bauhaus, Cure e Sisters of Mercy. Os Smiths chegaram então para falar com todos que se sentiam excluídos da “grande festa da música oitentista”. Estava ali um grupo que soava diferente de quase tudo que viera antes, e, mais notável, sem apelar para experimentações e radicalismos. O som dos Smiths se fundamentou em duas bases: as melodias de Johnny Marr e as letras de Morrissey e seus contos de desilusão, desamor e inadequação aos tempos modernos. Os Smiths gravaram várias obras-primas, mas nenhuma tão definitiva quanto How Soon is Now. Afinal quem nunca foi em uma festa com grandes expectativas e voltou pra casa sozinho e amaldiçoando o mundo?

- Madonna: Like A Virgin
Com seu primeiro disco Madonna havia conseguido um certo sucesso e criado um bom número de pérolas pop (Borderline, Lucky Star, Holiday…). Com Like a Virgin ela deixou de ser uma artista de sucesso para virar não apenas a cantora mais bem sucedida da história mas também um ícone, a mulher com quem os garotos sonhavam e as meninas queriam ser. Grande parte do mérito de Like a Virgin se deve ao produtor Nile Rodgers (do Chic) que soube criar uma canção pronta para estourar e que, terminou por se mostrar clássica e atemporal (como parte grande da produção da cantora nos anos que se seguiram). E pensar que em 85/86 um monte de gente dizia que “aquilo” feito pela cantora era música descartável que não duraria nem um ano…

- Nirvana: Smells Like Teen Spirit
É uma pena que o suicídio de Kurt Cobain tenha, para o bem e para o mal, colocado toda a obra do Nirvana em outra perspectiva. Assim, a música do grupo é vista com um certo desprezo por gente que acha inconcebível que “o som do cara que se deu um tiro na cabeça” seja ouvido com a mesma reverência dos grandes clássicos. Como foi ouvir Smells Like Teen Spirit, pela primeira vez, da excitação trazida por aquela música aparentemente banal, da sensação de que os anos 90 estavam começando? Eu nasci em 90!

- Metallica: Enter Sandman

Desde 1983 o Metallica era a grande esperança do metal americano. Construindo sua reputação aos poucos, era inevitável que o mega-sucesso finalmente chegasse. E ele chegou em 1991 com o chamado Black Album e seu primeiro single: Enter Sandman. Com seu riff simples e poderoso, gravado á perfeição por Bob Rock, a música é um dos grandes momentos do rock dos anos 90. Com o “álbum preto” o Metallica mostrou que era possível tornar o thrash metal palatável para as massas sem que isso significasse descaracterização (ainda que os fãs mais radicais jamais tenham aprovado essa “troca”). Eu tenho esse álbum.

- Pearl Jam: Jeremy
Que o Nirvana foi a banda mais importante dos anos 90 não se discute, mas o Pearl jam foi a mais influente, principalmente pelo fato de que, ao contrário da banda de Cobain, eles sempre acreditaram mais na mitologia e em um passado glorioso do rock. Verdade seja dita, gostamos de ver os músicos como heróis e não como caras comuns, e ainda que o Eddie Vedder se esforce para parecer um cara qualquer, não é assim que seu público o vê. O Pearl Jam sempre teve uma queda pelo som praticado nos anos 70 por gente como o Led Zeppelin, Neil Young e o Who além da influência do punk e do rock alternativo dos anos 80. Essa mistura agradou não só á molecada mas também aos fãs mais tradicionais de rock que transformaram a banda numa das mais influentes dos últimos anos (basta ver a quantidade de clones de Eddie Vedder que já surgiram desde então), o pontapé inicial dessa trajetória foi Jeremy que apresentou ao público da MTV aquele cantor “que fazia umas caras estranhas enquanto o menino se matava na frente dos colegas” ao som de uma música nervosa e dramática e que, ainda hoje, é o momento mais aguardado nos shows da banda.

- Radiohead: Paranoid Android
No mundo do rock a lei da física que diz que para cada ação existe uma reação é sempre válida. Em 1997 o britpop começava a dar sinais de cansaço e era chegada a hora de uma nova guinada. O Radiohead tem uma história curiosa: a princípio foram vistos com desconfiança em seu país porque fizeram primeiro sucesso nos EUA com a música Creep. Para muitos aquele seria mais um caso de “one hit wonders” (artistas que fazem um grande sucesso e somem). O segundo disco já foi mais bem recebido, mas demorou um pouquinho para a crítica se ligar que The Bends estava ganhando um enorme número de fãs e influenciando o surgimento de outras bandas (o movimento chegou a ser batizado de “New Grave” mas o termo não pegou). Por conta disso, a expectativa para o terceiro disco era grande e Paranoid Android, o primeiro single, mostrou que algo de muito sério estava para acontecer. No lugar do som que cruzava Smiths com Nirvana e Pixies do começo o que se ouviu foi uma música com mais de 5 minutos e cheia de pequenas partes. Houve quem achasse que era a volta do rock progressivo, outros falaram em “Bohemian Rhapsody” para o novo milênio. Mas isso não importava, importava mesmo é ver que com Paranoid Android (e o disco Ok Computer) o Radiohead voltava a levantar a bandeira do rock experimental e futurista, para alívio de muitos. Essa veia da banda foi sendo aprofundada nos anos seguintes, a ponto de ninguém mais saber dizer se o que a banda de Thom Yorke faz é mesmo rock.

- White Stripes: Seven Nation Army
No rock o riff deveria ser a moeda mais valorizada. Dá pra contar a história do gênero através deles e não tem banda que não se orgulhe quando cria um riff poderoso (veja a animação de Bono quando fala de Vertigo). Seven nation Army tem um dos melhores riffs já criados na história e ponto. Pode-se achar Jack White chato e se reclamar que a baterista Meg White não sabe nem sentar no banco e quanto mais tocar bateria, mas não é qualquer um que consegue criar um riff tão simples e pegajoso. Seven Nation Army além de ter se tornado o maior hit dos Stripes (ao lado dos Strokes a banda mais celebrada pela imprensa nesse início de século) virou hino de arquibancada (os italianos adotaram o “tam tamtam tamtamtam tam” e fizeram os Rolling Stones tocar a música um dia depois da final da Copa quando os jogadores da seleção campeã deram as caras no palco), grito de guerra da “massa funkeira” e, o mais importante, ela é daquelas músicas fáceis e empolgantes para se tocar, ou seja, muita banda vai dizer que a primeira música que tocaram foi Seven Nation Army.

- Green Day: Wake Me Up When September Ends
Engraçado que tenha cabido ao Green Day, uma banda que sempre se pautou no bom humor e inconseqüência, o papel de criar as canções de protesto que marcarão os sombrios anos Bush. Quando o trio disse que iria lançar um disco conceitual sobre o atual momento norte-americano, a maioria riu. Quando, meses depois, o cd estourou a banca, todos se calaram. Dentre os vários hits de American Idiot essa balada é a que provavelmente irá ficar por mais tempo na memória das pessoas, muito graças ao seu vídeo que mostrou que certas situações só vistas em filmes sobre o Vietnã estavam acontecendo novamente bem na nossa cara.

- The Cure: “Apart” e “A Letter to Elise”

É claro que The Cure estaria por aqui. Robert Smith (líder e único membro da banda The Cure a permanecer desde a sua formação) nasceu em Blackpool, Inglaterra, em 21 de Abril de 1959, se mudando ainda criança para a periferia da cidade de Crawley. Há quem diga que formar uma banda de rock foi a saída óbvia para o garoto tímido e estranho que usava maquiagem e roupas pretas, tendo sido expulso da escola por ser considerado uma má influência para os outros alunos. Mas Robert admite também que a inspiração para uma banda foi o Clash. Aos 16 anos, montou com os companheiros de escola a banda Easy Cure que seria o embrião da banda The Cure, precursora e principal divulgadora do rock que viria a ser conhecido como gótico, marcado por visual depressivo, letras idem, batida acelerada e dançante. Apart é a terceira música do álbum “wish” e logo de cara nota-se que é uma das canções mais tristes de todos os tempos, parecendo ter vindo diretamente das sessões de estúdio de “Disintegration”. Dê a Robert Smith a idéia de duas pessoas que já foram muito próximas mas hoje possuem um universo de distância entre elas e pronto, ele lhe devolverá coisas como Apart, uma pequena obra-prima, delicadamente mórbida, lenta e bonita. A atmosfera de solidão imprimida pelo baixo lento e pelo teclado enevoado é de cortar o coração. O vocal duplo e às vezes triplo é muito bem sacado e dá uma aura ainda mais etérea à canção, um dos pontos mais altos de “Wish”. A Letter to Elise é outra pérola de “Wish”. Leve e agradável de se ouvir, com direito a um solo matador no fim. É daquelas canções extremamente simples, compostas em um momento de alta inspiração. Sem grandes atrativos, poderia ter sido composta por mim ou por você, e ainda assim é perfeita.

- The Cure: End

Para fechar, End é infalível. A última música do disco flerta com Open na sua letra angustiante sobre limites e sonhos destruídas, carregada nas guitarras viscerais e cruéis. Smith canta com desilusão e fatalismo desconcertantes, até o fim da canção chegar bruscamente junto com o fim do disco.

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18

de

outubro

Então o que isso significa p/ o futuro do Nirvana?

É impossível eu olhar para o futuro e dizer que vou estar apto a tocar
músicas do Nirvana daqui a 10 anos. Não há como. Não quero recorrer ao modo Eric Clapton. Não degradando-o , de qualquer maneira. Eu tenho imenso respeito por ele. Mas não quero mudar minhas músicas para adequá-las à minha idade. (risos)

17

de

outubro

Nevermind

É estranho escrever uma resenha de um disco tão conhecido, tão falado, tantas vezes já resenhado. Mas a inspiração que ele suscita é irresistível. O cara vai escrevendo, tentando transmitir suas idéias, e percebe que está falando de algo que é mais do que um conjunto de boas músicas. Percebe que, conquanto existam sempre os detratores e os filhotes do supracitado processo de “cuspir no prato em que comeu”, que muitos acabam aderindo ao se acharem adultos ou inteligentes ou true demais para ouvir Nirvana, “Nevermind” mantém uma impressionante taxa de influência, de rotação, de pulsação em nossa memória musical. Uma guitarra, um baixo, uma bateria e um cara cantando sobre o que se passa em sua cabeça - mas o rock ‘n’ roll não é simplesmente isso, desde sempre? A diferença é que em “Nevermind”, esses elementos transmitem uma gana extraordinária e um talento incomum, sintetizados em um formato puro, sem firulas, impassível de comparações, acusações de revisionismo, plágio e falta de personalidade, perpetrado por sujeitos normais, com roupas normais e crenças ingênuas sobre música. Algo meio saudoso, nos dias de hoje. A conclusão única que se pode chegar diz que “Nevermind” é duas coisas: um marco e o disco.

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