In between days

“Why won’t you ever know…

20

de

janeiro

Conclusões.

1. Nada do que realmente vale a pena é fácil de se conseguir. Exceto aquelas coisas vitais e abundantes, tipo oxigênio. Agora, pessoas ou momentos que valem a pena? Esses sim são difíceis de se encontrar. Se você tiver os dois, saiba que é muito, muito sortudo.

2. Aquela história de “quando uma área da sua vida melhora, alguma outra tem que piorar”. É incrível: nunca tudo pode estar bem. Sempre tem que ter alguma parte da sua vida que vai andar mal. E, na maioria das vezes, o pior é que ainda é proporcional: quanto mais uma área melhora, mais uma outra vai piorar.

3. Ter que decidir por coisas realmentes importantes nunca é fácil. Especialmente quando a decisão envolve outras pessoas que são importantes para você. Pensar se você quer o suco com ou sem gelo não é difícil. Difícil é saber se você arrisca ou não por algo ou alguém que vale a pena.

4. Às vezes as pessoas não esperam você perceber que errou, que escolheu mal, que não deu o merecido valor. Às vezes o ônibus não espera, mesmo que você faça sinal, corra e ainda xingue o motorista. Às vezes não te dão tempo suficiente para você decidir, ou descobrir o que tem que fazer. E aí, amigo, boa sorte. Segundas chances são raríssimas.

There There.

Ouça: Radiohead - Let Down

“Bandages on my legs and my arms from you
Bandages, bandages, bandages
Up and down on my legs my arms from you
Bandages, bandages, bandages”

19

de

janeiro

O poder do Improvável

No final das contas, é o imprevisível que faz o seu dia. Uma mensagem inesperada. Duas mensagens inesperadas. Um elogio. Uma música. Duas músicas. Uma palavra dita sem querer que você achou que eu não percebi. Uma ligação de madrugada. Um comentário nesse blog.

Não sei quanto a você, mas eu tenho mania de roteirista. Não sei se de cinema ou de seriado de TV, só sei que imagino minha vida como um grande script. Não no sentido de “Julia diz: Olá”. E também não há longas descrições sobre os sentimentos excruciantes que sentimos nesse mundo repleto de desconfiança e medo. Também não penso como autora de teatro, porque seria pretensão demais imaginar que eu conseguiria resumir vidas ou assuntos em uma, duas horas.

Mesmo que você não pense na sua vida como um roteiro já escrito, você também deve estar acostumado a pensar que tudo corre exatamente como você planejar, se você seguir as regras direitinho. Acorde na mesma hora, tome banho, saia de casa para trabalhar, almoce no mesmo lugar. E aí você imagina que, no minuto em que quebrar essa rotina, algo de surpreendente acontece. Você conhece sua alma gêmea. A oportunidade financeira da sua vida.

Não, não é assim. Sim, se você quebrar uma rotina, algo surpreendente até pode acontecer. Mas as chances são muito menores. No final das contas, nem dá pra medir essas tais “chances”, não há como contar improbabilidades. É improvável e ponto final, não tente controlar.

Não estou dizendo para você largar tudo na mão do destino, esperar o acaso te dizer para que lado da rua atravessar. Só te digo uma coisa: acredite que você não pode controlar tudo nesse mundo.

“And true love waits
In haunted attics
And true love lives
On lollipops and crisps

Just don’t leave, don’t leave”

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16

de

janeiro

How to Disappear Completely

I’m not here.

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14

de

janeiro

Conversando com Thom Yorke

Jigsaw falling into place:

Há quase um mês eu escuto essa música sem parar, sempre esperando que na vez seguinte eu perceba algo novo nela (o que costuma acontecer), ou a entenda finalmente por completo. É uma conversa que estou tendo com o Thom Yorke há quase um mês meses, mas que não soa repetitiva. Toda vez ele parece contar algo surpreendente, ou com uma entonação diferente. Como se toda vez fosse a primeira.

É isso que amor (ou paixão?) deveria ser?

E é por isso que eu, e meu dois amigos (coagidos, diga-se de passagem) estaremos na Chácara do Jockey, em SP, dia 22 de Março. Eu vou falar com Thom Yorke pessoalmente.

Não tenho o teu gosto musical incrível, não conheço tuas dezenas de maravilhosos artistas brasileiros. Meu conhecimento musical é mínimo, é patético. Meu repertório em português deve ser de 50 músicas, a maioria delas bobas, e eu não tô contando Legião. Não entendo nada de instrumentos, nada de voz. Não sei o que é harmonia, não conheço notas, acordes, não sei quantas teclas tem um piano.

E não quero mais saber.

Não sei explicar o que eu gosto. E não me importo por não saber. Não é complicado. Não é complicadíssimo. Gosto do que ouço, mesmo sem entender. Mesmo o Thom Yorke tendo um olho paralisado. Mesmo ele não sendo brasileiro ou cantando em português. Mesmo que isso com certeza seja apenas um monte de barulho desordenado para seus ouvidos sensivelmente treinados. Posso ser a única, mas acho do c****** quando eles começam a tocar depois de 2′22” nesse clipe. Esse é o tipo de música que me arrepia. E se isso me faz pior do que você, não ligo mais.

Para mim, it’s the devil’s way now.
It’s too late now,
because
you have not been
paying attention.

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13

de

janeiro

Gary Grobowski And Brooke Meyers

Gary: Brooke?
Brooke: Hi!
Gary: Hi!
Brooke: Wow!
Gary: It’s good to see you.
Brooke: It’s good to see you.
Gary: I’d give you a hug, but my hands are kind of full with all the bags here… How’ve you been?
Brooke: I’ve been really good. How have you been?
Gary: I’ve been good.
Brooke: Yeah…
Gary: You look great
Brooke: Thank you.
Gary: The hair’s a little different. Looks nice.
Brooke: Yeah? Oh, yeah… You’ve been lost some weight!
Gary: Well, it’s very deceiving, actually. I’ve managed to become thin without having any real muscle on me whatsoever. Very tough to accomplish, by the way. I’m proud of myself.
Brooke: Well, you look terrific.
Gary: Thanks… I heard your trip went really well.
Brooke: It did. It went really well.
Gary: Oh, good.
Brooke: It was fun, it was amazing, i saw so many amazing places. It was just… But, you know, you do realize how much you love home.
Gary: It’s good to have you back.
Brooke: Yeah. It’s good to be back… And the boat! Congratulations on the boat.
Gary: Thanks.
Brooke: I’m waiting for it to get warm, and i’m gonna come by and take a ride.
Gary: Well, anytime you want. It’ll be on the house. Come on by.
Brooke: Well, i will, then.
Gary: I hope you do.
Brooke: Definitely… Well i got to… I’m going to a meeting so…
Gary: I got to drop these bags off anyway, but it’s really good to see you, Brooke.
Brooke: Really good to see you.
Gary/Brooke: Shouldn’t…
Brooke: Sorry.
Gary: I’m sorry… I’m just saying we shouldn’t wait so long the next time before we…
Brooke: Yeah.
Gary: …catch up.
Brooke: We have a lot more to talk about.
Gary: Yeah.
Brooke: So.
Gary: Be good.
Brooke: Okay.
Gary: Bye.
Brooke: Bye.

“Why so green and lonely? Heaven sent you to me
We are accidents
waiting
waiting to happen
we are accidents waiting waiting to happen”

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9

de

janeiro

Karma Police

This is what you’ll get
This is what you’ll get
This is what you’ll get when you mess with us.

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31

de

dezembro

2 + 2 = 5

“If I could be who you wanted
If I could be who you wanted
all the time
all the time.”
Are you such a dreamer to put the world to rights? I’ll stay home forever, where two and two always makes a five.

I count your eyelashes, secretly.

Conte mais:

- Calvin And Hobbes (Calvin e Haroldo): Yukon-ho! de presente de natal! Ah Freire, você é demaiz! =]

16

de

dezembro

As 20 músicas do século.

uma lista das bandas e músicas que marcaram o século tanto no que se refere a alternância e a criação quanto a influência e história. Elas marcaram o tempo.

- Buddy Holly: That’ll Be The Day

Se o rock dos anos 50 era rude e cru, Holly não era nada disso. Buddy Holly preferia fazer canções mais melodiosas, tipo o country e pop das décadas anteriores. Ele também foi o primeiro rockeiro com cara de nerd, com seus óculos de lente grossa e cara de bom moço. Por isso pode-se falar que foi ele que abriu caminho para o surgimento do conceito de “pop/rock”. Buddy Holly, com sua banda The Crickets, também criou o formato básico de uma banda de rock: duas guitarras, baixo e bateria. Dentre as poucas gravações que deixou em vida, That’ll be the Day é uma das mais felizes, mas discoteca nenhuma está completa sem uma boa coletânea dele com outros sucessos como Peggy Sue e Oh Boy. Holly aparentava ter um futuro brilhante, mas tudo se interrompeu no dia 3 de fevereiro de 1959 quando Holly perdeu sua vida em acidente aéreo. Paul McCartney, um de seus maiores fãs compraria no futuro o direito de suas canções.

- Queen: Bohemian Rhapsody
Tudo no Queen era exagerado. Nada mais justo então que a canção mais memorável da banda seja também a mais exagerada. Bohemian foi a grande obsessão de Freddy Mercury que segundo o baterista Roger Taylor “a tinha toda mapeada na cabeça”. Conta-se que de tantos overdubs (ou gravações sobrepostas de vozes e instrumentos) a fita master quase ficou transparente. Tão importante quanto a música em si foi o vídeo feito para ela. Gravado ás pressas porque a banda não poderia estar presente no Top of the Pops e a um custo baixíssimo, o clipe de Bohemian Rhapsody foi a prova definitiva de que os “promos” ou “tapes” (como costumavam ser chamados então) poderiam servir para alavancar as vendas de discos ao contrário do que se pensava até então.

- Sex Pistols: Anarchy In The U.K
Se nos Estados Unidos o punk não vingou, na Inglaterra a história foi outra. Milhares de jovens cansados da monarquia, do rock pomposo, enfim de tudo, como é de se esperar quando se tem uma certa (pouca) idade, resolveram botar tudo abaixo em um dos períodos mais excitantes do rock. Ninguém simbolizou melhor essa geração que os Pistols para o bem (o carisma de Johnny Rotten, os grandes riffs do guitarrista Steve Jones) e para o mal (o niilismo desenfreado que acabou vitimando o segundo baixista Sid Vicious, com meros 21 anos e a idéia de que quase tudo feito ate então no rock deveria ser esquecido). O legado da banda se resume a apenas um disco (fora a trilha de “The Great Rock’n'Roll Swindle) mas ele perdura até hoje, basta ouvir Nirvana, Green Day, Offspring, Oasis e tantas outras que tentam emular, cada um a seu modo, os riffs de Steve Jones e a postura de Johnny Rotten e suas letras que misturavam raiva, política e bom humor (“eu sou um anarquista, sou o anticristo, não sei o que quero mas como conseguir, eu quero destruir”). Anarchy in UK é tão emblemática que ninguém deverá se surpreender se um dia ela começar a ser usada em salas de aula inglesas para explicar qual o era o estada das coisas no já longínquo 1976.

- David Bowie: Heroes
Bowie, ao lado de Brian Eno, seu parceiro e produtor na chamada “trilogia de Berlim” (os discos Low, Heroes e Lodger) foi um dos primeiros a sacar a importância do que as bandas alemãs, em particular o Kraftwerk, estavam fazendo. O disco Heroes era repleto de faixas instrumentais que não escondiam em nada o fascínio que ele tinha pela banda. Heroes, a canção, não tinha nada de sutil. Ela trazia um arranjo primoroso, uma letra do tipo que sempre vai fazer sentido para um monte de gente em inúmeras situações (“Nós poderemos ser heróis nem que seja por um dia”) e a melhor interpretação de toda a sua carreira. Vira e mexe a canção é regravada (o Blondie soltou uma versão ao vivo com a participação do próprio Bowie ainda em 78, Oasis e Wallflowers lançaram as suas covers nos anos 90) mas é difícil chegar sequer perto do impacto do original, mesmo passados 25 anos.

- The Police: Message In A Bottle
Ok, o grande momento de Sting e do Police foi Every Breath You Take e e isso aí. Mas o fato é que o grupo entrou para a história por outros motivos além de ter escrito uma das melhores baladas dos últimos tempos. O grande lance do Police foi ter popularizado o termo: “reggae de branco”, ajudando a tornar o som da Jamaica palatável não só para rockeiros menos abertos mas para o público em geral. O Police também contrariava a escola punk que dizia que quanto menos se soubesse tocar melhor. Todos os três policiais eram excelentes músicos, mas eles entenderam que o segredo estava na simplicidade. É por isso que Message in a Bottle está aqui, por mostrar exatamente o porquê de até hoje ter tanta gente lamentando o fato de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland não estarem mais juntos no palco e estúdio. E porque sem ela o rock brasileiro dos anos 80 teria sido bem diferente (que o digam os Paralamas do Sucesso, Blitz e Léo Jaime).

- Joy Division: Love Will Tear Us Apart
Em 1979 o punk já dava sinais de desgaste, foi quando o pós punk surgiu. Várias bandas abraçaram o gênero (marcado por baixo pulsante, guitarras esparsas e canções intensas mas não necessariamente melódicas). Entre os principais nomes estavam o PIL, formado pelo ex-vocalista dos Sex Pistols Johnny Rotten, agora John Lydon, especializado em experimentar com o reggae e o dub. A Gang of Four com sua mistura de punk com funk e, principalmente, o Joy Division. O Joy era um quarteto de Manchester que começou punk e em dois discos criou um som bastante original (com a ajuda fundamental do produtor Martin Hannet). Boa parte do que é chamado hoje de “rock dos anos 80” tem as suas origens no som da banda. Love Will Tear us Apart, uma das mais dolorosas canções de amor desde sempre, deveria ter sido o trampolim da banda para o sucesso. Deveria se Ian Curtis não tivesse se enforcado com apenas 23 anos às vésperas da primeira turnê norte-americana. Tony Wilson, o chefe da gravdora deles, a Factory, contou recentemente que logo depois do ocorrido um ainda jovem Bono lhe disse que estava pronto para assumir a missão de Ian. Os sobreviventes do Joy se reorganizaram como o New Order.

- Motörhead: Ace Of Spades
Os ventos de mudança do punk acabaram dando força também ao heavy metal. Um grande número de bandas surgidas principalmente no fim dos 70 iriam se tornar grandes na década seguinte ou influenciar as futuras gerações de metaleiros. Assim o Judas Priest colocava pitadas de punk e new wave em seu som e chegava ao público americano, o Iron Maiden vinha com um som a princípio rude, e depois intrincado, para se tornar um dos maiores nomes de toda a história do gênero e o Def Leppard abria as portas (talvez sem querer) da fusão de heavy metal com música pop. Mas quem mesmo acabou dando as diretrizes para o metal futuro foi o Motörhead, com seu visual sujo e malvado e o som rápido, veloz e nem um pouco sutil. Cria de Lemmy Killmister – que tocou no Hawkwind e foi roadie de Jimi Hendrix – o Motörhead abriu as portas para todas as variações underground do metal, que iriam desembocar no sucesso de massa do Metallica. Ace of Spades é o grande momento da banda, daquelas músicas que te dão vontade de chutar alguma coisa e você nem sabe o porquê. Se isso é bom ou mal sei lá, mas quantas músicas são tão poderosas assim?

- Talking Heads: Once In A Lifetime
No pop as coisas vêm e vão. Nos anos 80 os Talking Heads eram sinônimo de música instigante, inteligente e inovadora. Nessa época não havia nada mais moderno que o disco Remain in Light e sua canção mais conhecida: Once in a Lifetime. Com sua mistura de rock, pop transcontinental e letras nonsense, mais a produção de Brian Eno, o disco, e a música, foram uma das marcas da década. No resto dos 80’s os Heads atingiram o grande público (com “Burning Down the House”) e mostraram que um show filmado poderia ser uma obra de arte (com Stop making Sense). Nos anos 90, quando não mais existiam, o grupo raramente era lembrado ou citado. Pior ainda, o líder David Byrbe ainda ficou com a fama de ser artista “cabeça” e aproveitador barato da música brasileira, latina e africana. Hoje tudo mudou, felizmente, os discos dos Talking Heads foram relançados em edições luxuosas, a nova geração lhes presta tributo (Franz Ferdinand, Clap Your Handa and Say Yeah e Arcade Fire sendo bons exemplos) e perceberam que o “aproveitador” Byrne estava lançando por seu selo uns discos esquisitos, vindos um país esquisito de artistas esquisitos como Mutantes e Tom Zé.

- The Smiths: How Soon Is Now?
A chegada da banda de Morrissey e Johnny Marr na cena pop é um caso de timing perfeito. Em 83, as sonoridades pós punk já davam mostra de cansaço. Sobrava o pop das paradas, encabeçado pelos new romantics Duran Duran e Culture Club que eram, simpáticos, mesmo geniais em certos momentos, mas sem muita utilidade se você buscava emoções menos rasteiras. Dava então para assumir o modelito preto e virar gótico niilista-existencialista (os anos 80 adoravam rótulos, especialmente esses que ninguém conseguia explicar direito) fã de Siouxsie, Bauhaus, Cure e Sisters of Mercy. Os Smiths chegaram então para falar com todos que se sentiam excluídos da “grande festa da música oitentista”. Estava ali um grupo que soava diferente de quase tudo que viera antes, e, mais notável, sem apelar para experimentações e radicalismos. O som dos Smiths se fundamentou em duas bases: as melodias de Johnny Marr e as letras de Morrissey e seus contos de desilusão, desamor e inadequação aos tempos modernos. Os Smiths gravaram várias obras-primas, mas nenhuma tão definitiva quanto How Soon is Now. Afinal quem nunca foi em uma festa com grandes expectativas e voltou pra casa sozinho e amaldiçoando o mundo?

- Madonna: Like A Virgin
Com seu primeiro disco Madonna havia conseguido um certo sucesso e criado um bom número de pérolas pop (Borderline, Lucky Star, Holiday…). Com Like a Virgin ela deixou de ser uma artista de sucesso para virar não apenas a cantora mais bem sucedida da história mas também um ícone, a mulher com quem os garotos sonhavam e as meninas queriam ser. Grande parte do mérito de Like a Virgin se deve ao produtor Nile Rodgers (do Chic) que soube criar uma canção pronta para estourar e que, terminou por se mostrar clássica e atemporal (como parte grande da produção da cantora nos anos que se seguiram). E pensar que em 85/86 um monte de gente dizia que “aquilo” feito pela cantora era música descartável que não duraria nem um ano…

- Nirvana: Smells Like Teen Spirit
É uma pena que o suicídio de Kurt Cobain tenha, para o bem e para o mal, colocado toda a obra do Nirvana em outra perspectiva. Assim, a música do grupo é vista com um certo desprezo por gente que acha inconcebível que “o som do cara que se deu um tiro na cabeça” seja ouvido com a mesma reverência dos grandes clássicos. Como foi ouvir Smells Like Teen Spirit, pela primeira vez, da excitação trazida por aquela música aparentemente banal, da sensação de que os anos 90 estavam começando? Eu nasci em 90!

- Metallica: Enter Sandman

Desde 1983 o Metallica era a grande esperança do metal americano. Construindo sua reputação aos poucos, era inevitável que o mega-sucesso finalmente chegasse. E ele chegou em 1991 com o chamado Black Album e seu primeiro single: Enter Sandman. Com seu riff simples e poderoso, gravado á perfeição por Bob Rock, a música é um dos grandes momentos do rock dos anos 90. Com o “álbum preto” o Metallica mostrou que era possível tornar o thrash metal palatável para as massas sem que isso significasse descaracterização (ainda que os fãs mais radicais jamais tenham aprovado essa “troca”). Eu tenho esse álbum.

- Pearl Jam: Jeremy
Que o Nirvana foi a banda mais importante dos anos 90 não se discute, mas o Pearl jam foi a mais influente, principalmente pelo fato de que, ao contrário da banda de Cobain, eles sempre acreditaram mais na mitologia e em um passado glorioso do rock. Verdade seja dita, gostamos de ver os músicos como heróis e não como caras comuns, e ainda que o Eddie Vedder se esforce para parecer um cara qualquer, não é assim que seu público o vê. O Pearl Jam sempre teve uma queda pelo som praticado nos anos 70 por gente como o Led Zeppelin, Neil Young e o Who além da influência do punk e do rock alternativo dos anos 80. Essa mistura agradou não só á molecada mas também aos fãs mais tradicionais de rock que transformaram a banda numa das mais influentes dos últimos anos (basta ver a quantidade de clones de Eddie Vedder que já surgiram desde então), o pontapé inicial dessa trajetória foi Jeremy que apresentou ao público da MTV aquele cantor “que fazia umas caras estranhas enquanto o menino se matava na frente dos colegas” ao som de uma música nervosa e dramática e que, ainda hoje, é o momento mais aguardado nos shows da banda.

- Radiohead: Paranoid Android
No mundo do rock a lei da física que diz que para cada ação existe uma reação é sempre válida. Em 1997 o britpop começava a dar sinais de cansaço e era chegada a hora de uma nova guinada. O Radiohead tem uma história curiosa: a princípio foram vistos com desconfiança em seu país porque fizeram primeiro sucesso nos EUA com a música Creep. Para muitos aquele seria mais um caso de “one hit wonders” (artistas que fazem um grande sucesso e somem). O segundo disco já foi mais bem recebido, mas demorou um pouquinho para a crítica se ligar que The Bends estava ganhando um enorme número de fãs e influenciando o surgimento de outras bandas (o movimento chegou a ser batizado de “New Grave” mas o termo não pegou). Por conta disso, a expectativa para o terceiro disco era grande e Paranoid Android, o primeiro single, mostrou que algo de muito sério estava para acontecer. No lugar do som que cruzava Smiths com Nirvana e Pixies do começo o que se ouviu foi uma música com mais de 5 minutos e cheia de pequenas partes. Houve quem achasse que era a volta do rock progressivo, outros falaram em “Bohemian Rhapsody” para o novo milênio. Mas isso não importava, importava mesmo é ver que com Paranoid Android (e o disco Ok Computer) o Radiohead voltava a levantar a bandeira do rock experimental e futurista, para alívio de muitos. Essa veia da banda foi sendo aprofundada nos anos seguintes, a ponto de ninguém mais saber dizer se o que a banda de Thom Yorke faz é mesmo rock.

- White Stripes: Seven Nation Army
No rock o riff deveria ser a moeda mais valorizada. Dá pra contar a história do gênero através deles e não tem banda que não se orgulhe quando cria um riff poderoso (veja a animação de Bono quando fala de Vertigo). Seven nation Army tem um dos melhores riffs já criados na história e ponto. Pode-se achar Jack White chato e se reclamar que a baterista Meg White não sabe nem sentar no banco e quanto mais tocar bateria, mas não é qualquer um que consegue criar um riff tão simples e pegajoso. Seven Nation Army além de ter se tornado o maior hit dos Stripes (ao lado dos Strokes a banda mais celebrada pela imprensa nesse início de século) virou hino de arquibancada (os italianos adotaram o “tam tamtam tamtamtam tam” e fizeram os Rolling Stones tocar a música um dia depois da final da Copa quando os jogadores da seleção campeã deram as caras no palco), grito de guerra da “massa funkeira” e, o mais importante, ela é daquelas músicas fáceis e empolgantes para se tocar, ou seja, muita banda vai dizer que a primeira música que tocaram foi Seven Nation Army.

- Green Day: Wake Me Up When September Ends
Engraçado que tenha cabido ao Green Day, uma banda que sempre se pautou no bom humor e inconseqüência, o papel de criar as canções de protesto que marcarão os sombrios anos Bush. Quando o trio disse que iria lançar um disco conceitual sobre o atual momento norte-americano, a maioria riu. Quando, meses depois, o cd estourou a banca, todos se calaram. Dentre os vários hits de American Idiot essa balada é a que provavelmente irá ficar por mais tempo na memória das pessoas, muito graças ao seu vídeo que mostrou que certas situações só vistas em filmes sobre o Vietnã estavam acontecendo novamente bem na nossa cara.

- The Cure: “Apart” e “A Letter to Elise”

É claro que The Cure estaria por aqui. Robert Smith (líder e único membro da banda The Cure a permanecer desde a sua formação) nasceu em Blackpool, Inglaterra, em 21 de Abril de 1959, se mudando ainda criança para a periferia da cidade de Crawley. Há quem diga que formar uma banda de rock foi a saída óbvia para o garoto tímido e estranho que usava maquiagem e roupas pretas, tendo sido expulso da escola por ser considerado uma má influência para os outros alunos. Mas Robert admite também que a inspiração para uma banda foi o Clash. Aos 16 anos, montou com os companheiros de escola a banda Easy Cure que seria o embrião da banda The Cure, precursora e principal divulgadora do rock que viria a ser conhecido como gótico, marcado por visual depressivo, letras idem, batida acelerada e dançante. Apart é a terceira música do álbum “wish” e logo de cara nota-se que é uma das canções mais tristes de todos os tempos, parecendo ter vindo diretamente das sessões de estúdio de “Disintegration”. Dê a Robert Smith a idéia de duas pessoas que já foram muito próximas mas hoje possuem um universo de distância entre elas e pronto, ele lhe devolverá coisas como Apart, uma pequena obra-prima, delicadamente mórbida, lenta e bonita. A atmosfera de solidão imprimida pelo baixo lento e pelo teclado enevoado é de cortar o coração. O vocal duplo e às vezes triplo é muito bem sacado e dá uma aura ainda mais etérea à canção, um dos pontos mais altos de “Wish”. A Letter to Elise é outra pérola de “Wish”. Leve e agradável de se ouvir, com direito a um solo matador no fim. É daquelas canções extremamente simples, compostas em um momento de alta inspiração. Sem grandes atrativos, poderia ter sido composta por mim ou por você, e ainda assim é perfeita.

- The Cure: End

Para fechar, End é infalível. A última música do disco flerta com Open na sua letra angustiante sobre limites e sonhos destruídas, carregada nas guitarras viscerais e cruéis. Smith canta com desilusão e fatalismo desconcertantes, até o fim da canção chegar bruscamente junto com o fim do disco.

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